
A dedicação vale medalha e oportunidades valiosas na vida profissional. No dia
15 de setembro,
sábado, às 14h30 (horário de Brasília), cerca de 830 mil alunos do
sexto ao nono ano e do ensino médio de escolas públicas de todo o Brasil
participarão da segunda fase da oitava edição da Olimpíada Brasileira
de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A competição existe há oito
anos e cresce a cada edição. Mais de 19,1 milhões de alunos de 46.728
escolas se inscreveram este ano. Em 2011, foram 18,7 milhões de
estudantes de 44.691 escolas.
Os medalhistas melhor
classificados podem participar de programa de iniciação científica
júnior com bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq). Em 2012, serão 4,5 mil bolsas. O Programa Ciência
sem Fronteiras prioriza na seleção alunos que conquistaram medalhas em
olimpíadas de conhecimento, como a Obmep.
Ouro –
Para conseguir um bom resultado na prova, estudantes e professores, que
também recebem prêmios, enfrentam uma rotina diária de estudos extras.
Mesmo quem já conquistou medalhas corre atrás de outras. Bruna Larissa
Carvalho de Sousa, 13 anos, competiu em 2011 e foi a primeira aluna do
Acre a se tornar medalhista de ouro. Ela pendurou na parede de seu
quarto, à vista de quem entra, a medalha que recebeu do ministro Aloizio
Mercadante, na cerimônia de premiação da Obmep realizada no Rio de
Janeiro, em 27 de agosto.
“O ministro me disse que é uma grande
honra receber essa medalha”, lembra a estudante, que atualmente mora na
capital Rio Branco. No ano passado, 90 mil alunos do Acre participaram
da competição. Este ano, ela compete novamente e está classificada para a
segunda fase da Obmep. “As questões ficam mais contextualizadas e
difíceis”, comenta. Para vencer o desafio, ela inclui questões das
provas anteriores da olimpíada nas duas horas diárias de estudo em casa,
no turno contrário às aulas da escola.
“Ela sempre gostou muito
de estudar e leva livros de matemática para estudar em casa”, conta,
toda orgulhosa, Lourena Carvalho, mãe de Bruna. A menina frequentava no
ano passado a escola municipal Antonia Fernandes de Moura, em Santa Rosa
do Purus, uma localidade de difícil acesso e onde moram cerca de 4 mil
pessoas. “Só se chega lá de barco ou avião bimotor”, explica Lourena.
A
conquista da medalha de ouro entusiasma outros estudantes da escola.
Sete alunos dos anos finais do ensino fundamental participarão da
segunda fase da Obmep 2012. Premiado em 2011 na competição, o professor
de matemática de Bruna, Antonio Carlos Osório do Nascimento, espera
outras conquistas. “O professor dá o suporte, incentiva, passa o que
sabe, mas o mérito de conquistar uma medalha é do aluno. Depende dele se
esforçar e descobrir outras maneiras de chegar ao resultado do
problema”, observa.
Este ano, Bruna, que está no oitavo ano, vai
competir por outra escola, o Instituto São José, que fica em Rio Branco.
Apaixonada por cálculos, a menina faz planos de estudar engenharia
mecatrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José
dos Campos (SP). “É uma área que engloba matemática e outras matérias e
que gosto muito”, diz ela.
Obmep 2012 – A
olimpíada de matemática é realizada em duas fases. A primeira prova é
classificatória e é aplicada pelos professores dos alunos na escola em
que estudam. A segunda prova contém seis questões, cada uma valendo 20
pontos. Esta fase premia também os professores. “Para ser medalhista de
ouro, o aluno tem que ser um dos melhores do Brasil e alcançar uma nota
superior a 75% do total da pontuação da prova, ou seja, uma nota entre
84 e 120 pontos”, explica Severino José Correia, coordenador regional da
Obmep no Acre.
As provas no próximo
dia 15 serão aplicadas em 9 mil locais em todo o Brasil.