Os
municípios de Lagoa de Pedras, localizado na microrregião do Agreste
Potiguar, e Pedro Avelino, na região central do Rio Grande do Norte,
ostentam o lamentável título de piores municípios do Brasil nos Índices
de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) 2011. Segundo a avaliação,
Lagoa de Pedras obteve o índice de 1,0 enquanto Pedro Avelino alcançou
1,2, muito abaixo da meta estadual, que é de 4,6. A listagem das dez
piores classificações do país contempla ainda o município de Pilões,
situado na região do Alto Oeste potiguar, com índice de 1,4. A
lanterninha nacional do IDEB é a Escola Estadual João Tomás Neto, de
ensino fundamental e médio. Já a escola municipal de Lagoa de Pedra
conseguiu alcançar a meta projetada de 3,1 na avaliação.
Os dados
do IDEB foram divulgados na última terça-feira pelo Ministério da
Educação (MEC) e novamente o estado do Rio Grande do Norte não atingiu a
meta proposta de 4,6, chegando a 4,2. Apesar disso, o estado apresentou
um crescimentode 0,3 ponto em relação à pesquisa de 2009. A listagem
das dez piores classificações no IDEB só contempla municípios da região
Nordeste, sendo três do Rio Grande do Norte, seis de Alagoas, três da
Bahia e um de Sergipe.
Criado em 2005, o IDEB é calculado a cada
dois anos com base no desempenho dos alunos na Prova Brasil, de
português e matemática, e na taxa de aprovação das escolas. A avaliação é
aplicada a alunos da 4ª e 5ª séries e da 8ª e 9ª séries de todas as
escolas públicas com mais de 20 alunos matriculados na turma. Estudantes
do 3º ano do ensino médio e de escolas particulares são avaliados de
forma amostral.
Na região metropolitana do estado, apenas
Parnamirim ultrapassou a meta de 4 pontos atingindo o índice de 4,1, nos
Anos Iniciais. A Escola Municipal Nossa Senhora da Guia foi a campeão
do IDEB no RN, alcançando o invejável índice de 6,7, ultrapassando todas
as metas estadual, municipal e nacional e, inclusive o índice de 2009
que ficou em 6,4. Já o município de Natal ficou a 0,1 de bater a meta,
atingindo 4,0 para uma meta de 4,1. Macaíba também não alcançou os
índices projetados de 3,5, ficando com 3,2 e Extremoz com 3,4 quando
projetou 3,6.
Natal integra uma rede de capitais que não bateram
as metas das séries iniciais nem das finais do ensino médio: Aracaju
(SE), Maceió (AL), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO) e São
Paulo (SP). Além dessas redes, a de Macapá (AP), Manuaus (AM), Rio
Branco (AC) e São Luís (MA) não bateram as metas dos anos iniciais.
Recife (PE) não atingiu a meta para os anos finais do ensino médio.
As
três cidades do Rio Grande do Norte que integram a lista das dez piores
são consideradas de pequeno porte, mas segundo os dados do Tesouro
Nacional, receberam uma boa quantidade de recursos do Fundo da Educação
Básica (Fundeb), além do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Situado a 51 quilômetros de Natal e com um total de 7.390 habitantes, o
município de Lagoa de Pedras recebeu um total de R$ 3.750.998,46 do
Fundeb que, se dividíssemos pelo número de habitantes daria um valor de
R$ 507,57 por cabeça. Já o município de Pedro Avelino, cuja escola
avaliada é da rede municipal, recebeu R$ 2.540.313, 65, enquanto que
Pilões foi contemplado com R$ 1.097.539,23 do Fundeb.
Piores municípios do país- Lagoa de Pedras/RN (Estadual) 1.0
- Pedro Avelino/RN (Municipal) 1.2
- Capela/AL (Estadual) 1.3
- Murici/AL (Estadual) 1.3
- Iraquara/BA (Estadual) 1.3
- Pilões/RN (Municipal) 1.4
- Barra dos Coqueiros/SE (Estadual) 1.5
- Pojuca/BA (Estadual) 1.5
- Atalaia/AL (Estadual) 1.6
- Monteiropolis/AL (Municipal) 1.6
- Monteiropolis/AL (Pública) 1.6
- Pão de Açúcar/AL (Estadual) 1.6
- Itanagra/BA (Estadual) 1.6
Secretária justifica nota da Tomás NetoA
secretária estadual de Educação Betânia Ramalho acredita que parte das
deficiências apresentadas pela Escola Estadual João Tomás Neto, do
município de Lagoa de Pedras, pode ser justificada pela falta de uma
liderança pedagógica na unidade. "O trabalho do gestor deve averiguar os
problemas pedagógicos como a falta de professores e abandono de
alunos", justificou.
Apesar de não conhecer a escola, a
secretária diz que tem conhecimento dos baixos desempenhos da unidade.
"Precisamos identificar agora quais são os problemas enfrentados por
esta escola", destacando que outros segmentos como a família e os órgãos
reguladores têm papel relevante na construção de uma escola eficiente.
"Há várias partes responsáveis por estas deficiências", defende.
Durante
a entrevista coletiva na Secretaria de Educação, Betânia Ramalho
comentou os resultados do estado no IDEB 2011 e afirmou que o governo
não tem como resolver a situação da noite para o dia. "A sociedade
precisa entender que mundo se transformou e a escola continua
trabalhando com giz, quadro e professores formados no século 20".
Segundo
ela, houve o cumprimento de algumas metas e em outras, cujos objetivos
não foram atingidos, ocorreram avanços. "Tivemos uma grande greve que
durou 79 dias que afetou de forma decisiva o calendário escolar e a
qualidade do Ensino/Aprendizagem. Mesmo assim o Estado superou a
projeção do MEC para 2011 e conseguiu avançar nos Anos Iniciais do
Ensino Fundamental, se comparado com o último levantamento, realizado em
2009. Já em relação aos Anos Finais e ao Ensino Médio, o índice de 2009
foi mantido. É um dado importante, quando é levada em conta a
informação de que nove estados do país obtiveram um resultado pior do
que em 2009".
Em relação aos anos iniciais do Ensino Fundamental a
rede total (pública e privada) alcançou índice de 3,4 no IDEB 2011.
Somente a rede privada teve 5,8 como nota, enquanto a pública alcançou
uma média de 3,3. O Ensino Fundamental da rede privada dos anos finais
apresentou uma nota de 5,5 e a rede pública obteve 2,9. Já o ensino
Médio Regular total do RN exibiu 3,1. A rede privada ficou com 5,1 e a
rede pública com 2,8.